A inteligência artificial está transformando o mundo tecnológico. Por isso, a Lenovo quer liderar essa mudança. A empresa aposta num modelo híbrido orientado para ecossistemas de IA unificados.
Como maior fabricante mundial de computadores pessoais, a Lenovo mudou de rumo. Em vez de focar apenas na produção de equipamentos, passou a desenvolver sistemas multiplataforma. Estes adaptam-se com facilidade às necessidades das pessoas.
Computação em qualquer lugar
Steve Long é vice-presidente sênior do Intelligent Devices Group da Lenovo. Ele explicou à Euronews Próximo a visão da empresa.
“Hoje, a capacidade de computação pode ir para qualquer lado. Antes era preciso um grande sistema centralizado. Ainda existe, e há situações em que faz sentido. Mas hoje pode estar em praticamente qualquer lugar.”
Além disso, segundo Long, “um computador pode estar embutido em quase qualquer coisa. Isso abre espaço para muitas experiências em que a Lenovo pode destacar-se.”
Novidades apresentadas no MWC
A Lenovo apresentou várias inovações no Mobile World Congress, em Barcelona. Entre os destaques, foram um portátil enrolável e um smartphone dobrável para jogos. Foi também lançado o Lenovo Qira.
O Qira foi anunciado pela primeira vez na CES, no início deste ano. Trata-se de um superagente pessoal de IA criado para operar em diferentes plataformas. Com o tempo, aprenda sobre o usuário e seus hábitos de trabalho. Assim, torna-se um assistente digital capaz de antecipar quase todas as necessidades.
Continuidade entre dispositivos
Longo explicado como o Qira funciona na prática.
“Pode estar a fazer uma tarefa no telemóvel e depois querer continuar no tablet. Nesse caso, o Qira lembra-se exactamente onde ficou e retoma a tarefa. Além disso, mantém o contexto do que estava a fazer, considerando também o seu histórico e os seus interesses. Tudo isso com a sua autorização.”
Por isso, segundo Long, o Qira representa uma evolução significativa. “Passa da simples pesquisa para a previsão, a sugestão e a ação em nome do usuário.”
Segurança e governança em debate
Muitos líderes empresariais vêem os agentes de IA como o futuro do trabalho. No entanto, a sua rápida ascensão levanta preocupações. Por um lado, especialistas alertam para riscos de segurança. Por outro lado, recebi que esses agentes se tornassem difíceis de controlar.
Ainda assim, Longo confirma a importância de garantir a segurança e a boa governação. Além disso, defendemos que os consumidores possam experimentar os benefícios por si próprios.
“O Qira pode melhorar a produtividade. Consequentemente, pode até ajudar a reter talentos, porque os trabalhadores ficam mais satisfeitos e fazem as coisas com mais rapidez.”
O desafio cultural da adoção
Para Long, o maior obstáculo não é técnico. Pelo contrário, é humano.
“É preciso convencer as pessoas de que isto é aceitável. Por exemplo, pense no carro sem condutor. Hoje já existe, mas mesmo assim muita gente ainda resiste. Da mesma forma, vai acontecer o mesmo com os agentes de IA.”
Ecrãs que se expandem
Para além dos agentes de IA, a Lenovo também está a experimentar novos formatos de ecrã. Nesse sentido, o portátil enrolável foi um dos conceitos mais comentados. O ecrã começa com 14 polegadas e pode expandir-se verticalmente até às 16,7 polegadas.
“A tela ajusta-se quando se quer uma superfície maior. Depois enrola-se para o formato normal quando se anda com ele.” Por isso, o modelo tem sido especialmente popular entre os jogadores.
Voz como interface do futuro
Por fim, Long acredita que a interação por voz vai revolucionar os dispositivos. Como exemplo, apresentou o protótipo Lenovo AI Workmate, que inclui uma cabeça robótica capaz de projetar imagens.
“Pode criar postais apenas a falar. Da mesma forma, pode criar uma apresentação em PowerPoint por voz.”
Embora esta tecnologia já exista para quem tem conhecimentos técnicos, a Lenovo quer levá-la ao grande público. “É isso que mais me libera”, concluiu Long.